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ÍNDIAS GUERREIRAS: MAGIA, BELEZA E ENCANTAMENTO NOS FESTEJOS JUNINOS

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A GRACIOSIDADE ENCANTADORA NO FOLCLORE QUE CADA VEZ MAIS GANHA PRESENÇA E BELEZA – FOTO: LEONARDO MENDONÇA

 s festejos juninos conseguem mesclar tradição, pertencimento cultural (com fidelidade às nossas raízes enquanto povo), entretimento, fortalecimento cultural e turístico, e, sobretudo, beleza, estampada no sorriso e na graça de personagens inesquecíveis, como é o caso dos amos, dos vaqueiros, de Pai Francisco e de Mãe Catirina, bem como das índias guerreiras do Bumba-Meu-Boi.

A BELEZA E GRAÇA DA MULHER MARANHENSE ESTÁ NO BRILHO DE SEU RISO, NO SEU DOCE OLHAR E NA DOÇURA DO SEU ROSTO – FOTO: CLICASAOJOÃO

Enquanto manifestação cultural, que possui a característica da mutação, o Bumba-Meu-Boi vem apresentando, durante as últimas décadas, mudanças significativas em indumentárias e elegância de suas linhas de frentes, principalmente no sotaque de orquestra. Representando uma ritualística categoria dentro do folguedo, a apresentação das índias guerreiras vem enriquecendo o trabalho na base de frente dessas agremiações, sobretudo na roupagem das nossas índias dos bois de orquestra, que adotam um figurino cada vez mais belo. Some-se a isso o uso cada vez mais rigoroso na maquiagem e na presença de mulheres que trabalham seus corpos em academias, não apenas para modelar o corpo, mas também para garantir resistência durante as apresentações, que em alguns dias beiram a uma verdadeira maratona.

No entanto, não basta apenas ter um corpo em dia com a estética e com os padrões de beleza que lhe são peculiar. Uma índia deve ter uma insubstituível sagrada presença, uma graça, pessoal e intransferível, como diria o poeta, o que pode significar a diferença entre as demais da tribo. Na força magnética do brilho de um olhar ou na malícia de um sorriso sedutor, aliados a movimentos plenos de sensualidade podem estar escondidos os ingredientes da magia que são capazes de encantar multidões e até de romper o quebranto dos corações mais petrificados. E é neste momento de grande emoção, na qual pulsam as artérias da nossa maranhensidade que podemos vislumbrar nos terreiros dos arraiais a atraente presença dessas verdadeiras deusas da beleza, que exibem a sua força e sua garra nas evoluções que o ritmo das toadas do Bumba-Meu-Boi desperta nos mais intrincados labirintos das nossas almas.

A GARRA E O BAILADO DAS TRADICIONAIS ÍNDIAS GUERREIRAS – FOTO: ARQUIVO JP TURISMO

O Maranhão é um estado rico em cultura, herdada em razão de inúmeras práticas realizadas ao longo dos séculos. Uma das manifestações populares mais ricas do território maranhense são as Festas Juninas, impregnadas pela crença católica e que celebram São João. São danças e apresentações em locais específicos, criados para valorizar a tradição e para facilitar o acesso do público ao lazer e à fruição cultural. Dentre as apresentações maranhenses de cunho popular, o Bumba-Meu-Boi tem incomparável destaque, pois marca um compromisso sagrado, mostrando a grande ligação da festa com os santos comemorados durante o mês de junho. Essa manifestação cultural também é denominada de folguedo ou brincadeira.

O AMANHECER NA CAPELA DE SÃO PEDRO, NO BAIRRO DA MADRE DEUS – FOTO: GUTEMBERG BOGÉA

Esse folguedo está relacionado a São João, e a aparição da brincadeira não pode ser dissociada do dia consagrado ao nascimento desse santo, em junho. Outra explicação para o período do festejo se relaciona ao ciclo do gado. Trata-se do clímax da engorda do animal, o que culmina no abate do boi e na sua comercialização, gerando fartura para todos que dependem da criação bovina. É o que geraria recursos para a realização dos festejos. A origem do auto, um dos momentos áureos do Bumba-Meu-Boi, hoje pouco realizado, remonta ao Ciclo do Gado, resultante das relações desiguais que existiam entre os escravos e os senhores nas casas-grandes e senzalas, refletindo as condições sociais vividas pelos negros e índios.

PROCISSÃO DE SÃO PEDRO, FÉ PELAS ÁGUAS DO RIO ANIL E BACANGA – FOTO: GILSON FERREIRA

Os santos comemorados nas festas juninas são Santo Antônio, quando são iniciadas as apresentações, e São João, quando a festa está no auge. Os brincantes do folguedo rendem homenagem ao santo, pagando promessas e dançando como forma de interligação entre o santo e os devotos. São Pedro é o homenageado do dia 29 de junho, quando durante o dia acontecem procissão marítima e manifestações religiosas. À noite, a capital maranhense fica envolta por festas em todos os seus recantos.

FESTA DE SÃO MARÇAL ENCERRA OS FESTEJOS JUNINOS NA CAPITAL – FOTO: GILSON FERREIRA

No último dia do mês ainda se comemora São Marçal, onde os grupos de Bumba-Meu-Boi se reúnem para se despedirem do período em um mesmo lugar (bairro do João Paulo) durante vinte e quatro horas, amanhecendo o dia todos os brincantes e a plateia, tradicionalmente.

A forma como o Bumba-Meu-Boi existe no Maranhão é única, diferenciando-se dos outros estados, principalmente pela diversidade de seus sotaques e pelo período de festejo. Em outros locais do País, a brincadeira acontece no mês de novembro e vai até a noite do Dia de Reis, em 6 de janeiro. No Maranhão, ela se manifesta no mês de junho. Esse período do ano para a realização do festejo do Bumba Meu Boi obedece a uma lógica na qual o tempo, como categoria, é regulado de acordo com as necessidades da sociedade camponesa, na qual surgiu o Bumba-Meu-Boi.

Unindo a religiosidade, o misticismo, os ritmos, a beleza e a riqueza de elementos culturais, o Bumba-Meu-Boi do Maranhão se destaca no panorama nacional. Por essa razão, a brincadeira foi considerada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, em 2008.

Texto: Equipe JP Turismo

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